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Quando você encontra o cara certo.

“Tudo começou quando ele se mudou pra minha rua e então, fui dar as boas-vindas com a minha família e claro, nossas famílias ficaram bem amigas . De cara, a gente não se entendeu muito bem, afinal , eu toda meiga e romântica vivendo no mundo da lua e ele, rockeiro vivendo pra ser notado. Mas com o tempo e a convivência muitas coisas mudaram . Nós nos aproximamos muito, amigos mesmo .
Quando eu o conheci ele ainda tocava bateria na sua banda de garagem formada por ele e mais uns quatro garotos. Todos eles tinham um estilo meio alternativo, se fingindo de ‘rebeldes sem causa’ e como todo rebelde daquela época, eles fumavam e fingiam ser maus mas no fundo eu conhecia, pelo menos, um deles e tinha a certeza de que aquilo tudo era pose de quem sentia e sentia muito.
Ele, apesar daquela máscara de menino mau, era o cara mais doce e mais romântico de todos e aquilo fez com que eu fosse a garota mais feliz do mundo. Fomos nos conhecendo mais e mais e eu notei que ele tinha uma sensibilidade tão grande quanto de alguém que guarda tudo pra si e foi quando eu conquistei a confiança dele e ele se abriu comigo. Ele era diferente de todos os carinhas que eu já havia conhecido e claro, me apaixonei perdidamente, afinal, tínhamos apenas 15 anos e queríamos o mundo em nossas mãos. Ele também se apaixonou por mim, pois apesar das nossas divergências, a gente não conseguia viver sem ficar junto. A gente se ajudava e juntos, conseguíamos seguir em frente. Sem medo do desconhecido, íamos atrás da nossa felicidade e dos nossos sonhos, sejam quais eles fossem .
Com o tempo a banda de garagem dele se desfez e aquele estilo “mau” , ele e os amigos deixaram pra trás, tiraram a máscara que escondiam quem eles eram verdadeiramente. E nós dois embarcamos num belo romance de primeiro amor . Nosso namoro nos mostrou quem nós éramos e o que queríamos para nós mesmos .
Sabemos que nada dura para sempre mas não pensávamos nisso enquanto estávamos juntos, nosso lema era um só “sejamos felizes até onde pudermos” e fomos felizes . Muito felizes por 6 anos . Até que por ironia do destino , tudo mudou . Quando ele completou 21 anos – e eu faltava 5 meses para isso- descobrimos que ele estava doente. Os médicos não souberam dizer o que ele tinha porém afirmaram estar num nível grave já , muito grave. Cura rápida para algo que não se sabia o que era não tinha e foi então que começamos a sofrer. Ele por estar doente e eu por não poder fazer nada para o meu amor , só podia ficar ao lado dele, mostrando ser forte pois acreditava que podíamos sair dessa. Pensei errado, infelizmente. Quando se passou 7 meses da doença, ele não aguentou mais e faleceu ao meu lado. Eu fiquei seu rumo – eu ainda estou sem rumo- ele sempre foi e sempre será o meu grande amor que a vida levou de mim, me deixando só, sem entender mais o sentido da vida.
Hoje faz 5 anos que tudo aconteceu e eu ainda não consigo não pensar nele e sei que ele está pensando e olhando por mim onde quer que ele esteja. O amor existe e você descobre isso quando encontra o cara certo. Ele era o cara certo pra mim. Sei que conhecerei outras pessoas mas ninguém será como ele pra mim . Ninguém o substituirá na minha vida. Ele sabe que eu o amo e que a dor ainda é grande e não passará, mas tudo isso me conforta ao lembrar de todos os nossos dias juntos. Cartas, fotos e lembranças são tudo o que tenho dele e são essas coisas que me fazem sorrir a cada dia. Como diz o Leoni “O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia… ”    ”

Alice Bachiega

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relato de um rapaz arrependido.

“Hoje eu a vi num bar qualquer de São Paulo. Ela nunca ia para bares e coisas do tipo, só ficava em casa lendo Nicholas Sparks e outros romances assim. Ela estava linda, mais linda do que qualquer outro dia em que passou ao meu lado. Pensei e pensei, e então, resolvi falar com ela, quem sabe puxando um papo e tudo mais as coisas não voltassem a ser como antes. Doce ilusão minha. Pelo visto ela mudou mesmo e mudou pra melhor. Fui. Chegando perto dela, pra minha tristeza, um carinha que estava próximo dela a puxou pra dançar. Caramba! Ela fez mesmo a aula de dança que tanto queria e olha, aprendeu tudo e muito bem. Ela estava perfeita, com aquele sorriso lindo sempre estampado no rosto. Foi então que eu me toquei: eu a perdi.  Já se passaram cinco meses e vinte dias – sim, eu conto pra sempre me lembrar da maior burrada que fiz na minha vida- que terminamos. Eu a fiz sofrer demais, demais mesmo com o término e fui “aproveitar” minha vida, eu não me arrependia de nada do que havia feito. Eu não a amava e não aceitava o jeito dela. Primeiro namoro dela e eu acabei com todo o encanto que ela realmente acreditava sobre o amor . Eu não tive paciência e a descartei como quem usa uma garrafinha d’água e depois, simplesmente, joga fora porque não vê utilidade em carregá-la pra lá e pra cá. Eu me foquei em coisas banais e deixei o meu amor pra trás. Hoje sim eu me arrependo mas é tarde demais. Enquanto ela sofria eu estava pegando todas e agora quem sofre sou eu e quem aproveita a vida é ela. Claro, cada um de um jeito. Ela não mudou totalmente, a essência dela ainda era a mesma, o jeito pelo qual eu me apaixonei era o mesmo. Ela só deixou de se importar com o que os outros pensavam a respeito dela.
Mas voltando pro bar, quando ela terminou de dançar, finalmente me viu, eu sorri e fui na direção dela, e ela me abraçou – que saudade eu estava daquele abraço apertado e desajeitado que sempre dávamos-  sorriu e beijou meu rosto e por fim, disse “E aí , curtindo muito?” eu sorri sem graça e disse “na medida do possível sim” e ela – com aquele jeito irônico que eu me apaixonava perdidamente-  disse “Ainda bem né , conseguiu o que queria. Curtir muito sua vida.” e eu – abaixei meu olhar – e disse “Quem me dera voltar no tempo.” ela deu uma gargalhada e disse “Mas não pode, aliás, ninguém pode… Bom , vou dançar, foi bom te ver.” .  Me abraçou novamente e se foi.
Como eu sou burro. Só isso que eu digo, chega a ser engraçado. A garota dos meus sonhos indo embora por culpa minha. Ela correu atrás de mim feito louca e eu a ignorei. Agora eu tento correr atrás dela mas nunca a alcançarei.  E o que me resta agora? Lembranças. De como ela é linda quando sorri com os olhos, do jeito dela todo descontraído com os amigos e quando vê um estranho paralisa e fica tímida de uma hora pra outra. De como a pintinha no ombro esquerdo dela a deixa com um toque de menininha e quando ela acorda depois de um cochilo, numa tarde chuvosa, com cara de “quero dormir mais.” mas levanta mesmo assim porque tem mil coisas pra fazer. Ela é linda e não só pela aparência dela, é linda por nunca desistir dos seus sonhos por mais bobos que sejam. Ela é linda simplesmente por ser quem ela é .”

Alice Bachiega