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As cartas que eu não mando (2)

“Eu lembro de tudo. Lembro da nossa primeira conversa.  Lembro das risadas dadas. Lembro do nosso primeiro encontro. Lembro da timidez nos primeiros minutos. Lembro do nosso primeiro abraço quando nos encontramos.  Lembro do nosso primeiro beijo que deu início à um ciclo de beijos que pareciam sem fim. Lembro do nosso segundo encontro que foi cômico demais.  Lembro dos ciúmes bobos. Lembro das pseudo-brigas que sempre acabavam em risadas descontroladas.  Lembro da primeira vez que, enfim, falamos eu te amo quase que sincronizado e muito muito emocionante. Lembro do, então,  pedido de namoro, lindo único,  presenciado pelos nossos melhores amigos. Lembro quando você conheceu minha família. Lembro quando eu conheci a sua família.  Lembro que eu morria de medo da sua mãe, mas ao conhecê-la, esse medo se transformou em admiração.  Lembro das nossas tardes de intimidade.  Lembro de cada mês de namoro, repleto de surpresas e confusões. Lembro das nossas confissões diárias.  Lembro das piadas sem graças que líamos e ríamos muito. Lembro dos filmes que assistíamos ou tentávamos assistir.  Lembro dos planos loucos que fazíamos. Lembro de cada detalhe que vivemos juntos. Eu lembro de tudo. Mas de que me adianta? Se tudo foi jogado fora, sem importância alguma. Se nem nos falamos mais. “

Alice Bachiega